sexta-feira, 17 de abril de 2009

gestos em silêncio...

Hoje eu falo do silêncio. Eu, que amo as palavras, hoje fico nos espaços em branco e nas entrelinhas. Fico ausente, estou ausente. Ausente-presente como tantas vezes, tantas pessoas. A mim seduzem palavras e silêncios, e jeitos de olhar. A mim, interessam as coisas que normalmente ninguém valoriza. Sou fascinada pela fração de segundo, o lapso mínimo em que os olhares se desencontram e a palavra que podia ter sido pronunciada se recolhe por egoísmo ou autocompaixão, então a cumplicidade se rompe e a gente fica sozinha. O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia falar, e de palavras quando o melhor teria sido ficar calado:e a gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não foram feitos quando o outro tanto precisava. E no silêncio o peso da omissão, cumplicidade com o erro, se agiganta.
Nem sempre acerto o tom, nem sempre encontro as palavras, eventualmente magôo a quem amo e aliso a quem desejava censurar. Ninguém, simplesmente, os domestica de verdade, e consegue fugir do poder que as palavras tem. Nesse mero instante te calo e te falo o sentimento e a minha vontade de ficar sempre ao teu lado, com o teu calor, com o teu abraço, com a tua boca me falando em línguas, que só mesmo nossos corações são capazes de entender.

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